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REFLEXÕES DE 2 KYU
Por: LUIS FERNANDO DALLA SANTA, publicada em 17/05/2010
Reflexões de 2 kyu Luis Fernando Dalla Santa Mente de Principiante Não gosto da idéia de repetir a mesma técnica exatamente da mesma maneira o tempo todo. Essa repetição faz com que eu me sinta uma espécie de robô que perde a noção da consciência presente no momento e permite que ela vague por aí. Então tento manter a mente de principiante em alerta para buscar aproveitar o treino além da idéia física/técnica para uma idéia de consciência presente/meditação.
Treinando com um iniciante, acho interessante observar como a paciência não seria o comportamento mais natural. Minha cabeça executa mentalmente um milhão de vezes a técnica, ou partes dela, enquanto espero com que o iniciante a complete. Isso é um exercício fantástico para mim, pois exercita muito o aspecto - que vai muito além do Aikido - de entender e aceitar o movimento e as limitações alheias.
Existem partes de técnicas que faço conforme compreendi de determinadas pessoas/instrutores. Acho que tendo a guardar as partes da técnica de acordo com aquilo que acho mais natural para meu corpo, da mesma maneira que tento transformar algo que inicialmente não é o mais simples, em algo natural. E sim, no início e fim do treino eu gosto de pensar que eu estou agradecendo ao Aikido como um todo, representado na imagem do fundador. E isso certamente inclui nossos instrutores e o que eles nos transmitiram.
Tai Sabaki (movimentação corporal)Normalmente começamos a aprender Tai Sabaki isoladamente. Podemos separar e nomear movimentos como tenkan, irimi tenkan e assim por diante. Acredito que é essencial treinar muito bem isto. Porém, o que acontece é que estes movimentos não são executados separadamente em uma técnica. Eles se juntam a outras ações do corpo, como as das mãos e dos braços, e se ligam continuamente a outros Tai Sabaki e outras ações. Fazendo um paralelo com o dia-a-dia, posso imaginar que sempre aprendemos coisas isoladamente. Por exemplo, vamos à faculdade aprender conhecimentos direcionados a uma área, aprendemos coisas lendo livros, conversando, convivendo, assistindo televisão. Isso culmina que nossa atitude como um todo não pode ser definida apenas pelos conhecimentos básicos e específicos, mas sim pela nossa capacidade de juntar tudo isso e encontrar uma solução que seja de fato ótima. Sobre o treino Gosto de como um treino físico intenso faz bem para a parte psicológica, em relação a auto-confiança e foco no pensamento presente. Existem técnicas que eu acho fantásticas de treinar e fico a todo momento querendo aplicá-las em alguém. Gosto de saber que meu corpo aprendeu a fazer coisas que minha cabeça não acreditava. Gosto da dinâmica dos treinos.
Hei – cumprimentando o Fundador
Eu sempre cumprimento o Fundador em demonstração de gratidão. Logo no início do treino, muitas vezes estou com a cabeça cheia de pensamentos, expectativas e preocupações. Agradeço, então, pois sei que a hora seguinte será agitada, desafiadora e cansativa e, sobretudo, não será em vão. Dessa forma, ao final do treino, me coloco em seiza na minha posição na fila. Meu dogi está todo suado, meu corpo está cansado e meu cabelo está desarrumado, mas cumprimento o Fundador novamente, e realmente quero agradecer por estar sentindo um ótimo relaxamento e uma sensação única de ausência de pensamentos externos.
Qualidades apreciáveis num graduado.Sobretudo o graduado tem que desenvolver o respeito e a alegria em treinar. Isso faz com que ele fique presente no momento do treino e atento a tudo que acontece ao seu redor. A partir disso, ele pode evoluir tecnicamente analisando o seu próprio corpo, do companheiro e do instrutor do treino. Também pode evoluir pessoalmente, aprendendo a respeitar as individualidades físicas e comportamentais de cada pessoa. Juntando tudo isso, ele é capaz de criar um ambiente mais agradável, onde as pessoas se identifiquem com esta alegria e acabem gerando mais motivação para buscar vivenciar o Aikido em um sentido amplo.
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